A notícia da morte atravessa todos os poros e altera a visão
– tudo o que os olhos podem tentar tocar: o próximo instante,
a música que se foi, a vida - que por mais inacreditável que
possa parecer, ainda está por vir.
Então flutuam suspensos em névoa e luz: a pedra, a madeira,
as tintas – fontes e oratórios - a transformação, a lente e os olhos
– instantâneo-película-papel.
O que há séculos era sagrado, torna-se apenas passagem.
O que era figura banal numa tarde qualquer, agora é a própria anunciação.
O verbo finalmente atravessa os olhos e é quem transforma.
Uma notícia nova sobre a mais antiga e derradeira notícia:
“os olhos são a grande mentira, a grande mentira jamais existiu”.